terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Uma tela e um papel funcionam ao contrário?

Ler no PC, no e-book ou no papel?
1-PC, e-book ou papel?
A resposta é sim.

Basta notar a diferença entre ler um texto longo num monitor de computador e ler o mesmo texto impresso.

A tela do computador, tablet ou celular não são alternativas ao bom e velho papel.

Ler numa tela que emite luz não retêm nem 30% comparado com ler no papel, que reflete luz[1]. Há estudos científicos que comprovam isto.

Você gera um texto no computador, corrige o texto e aparentemente está tudo perfeito; você imprime, vai conferir e leva um susto! "Meu Deus! Como não vi isso antes?" - o texto está com vários erros que passaram batidos...

A equipe da Folha de São Paulo fez uma experiência[2]: comparou alguns leitores que leram no jornal impresso e outros, lendo o mesmo jornal, no tablet. Três meses depois foram fazer uma revisão e constataram que os leitores do jornal impresso deram de 10 a 0 nos outros que leram no tablet!

Em 2002, pesquisadores das universidades britânicas de Plymouth e Bristol sugeriram que lembramos melhor daquilo que lemos em papel. Dois anos depois, psicólogos das universidades suecas de Karlstad e Gottenburg emendaram: monitores eletrônicos são lanternas de estresse, e rolar páginas digitais distrai mais do que virar páginas reais. Ainda em 2004, um estudo da universidade francesa de Bretagne-Sud apontava que o e-book "dificulta a recordação de informação assimilada", enquanto o papel "tende a facilitá-la". Haveria uma "relação crítica" entre o manejo do objeto e o processamento mental do texto.

Ouça este trecho:


Afinal, qual é a explicação?


Numa tela digital, que emite luz, as cores fundamentais são RGB (Red, Green e Blue - Vermelho, Verde e Azul) - que somadas dão Branco:


Cores RGB
2-Cores RGB


Quando lemos numa tela digital, RGB, O mecanismo mental de processamento na retina é completamente diferente de quando lemos num livro impresso, onde as cores fundamentais são CMYK (Cyan, Magenta, Yellow e Black(Key) - Ciano, Magenta, Amarelo e Preto), cuja soma dá a cor Preta - chave, Key. 


Cores CMYK
3-Cores CMYK

Conclusão: é um fenômeno neurológico. Esta é a explicação. 


Resumindo, neste último caso lemos por adição enquanto no outro caso, por subtração, ou seja, lendo na tela digital nós perdemos enquanto ganhamos lendo no papel.

Ouça a explicação:


Antes tarde do que nunca!


A única diferença que percebi ao ler na tela do PC, desde o início, foi o cansaço visual que causava. Nada de extraordinário pois é normal acontecer.

Levado pela onda da empolgação com a tecnologia digital, fiz um esforço no sentido de “aposentar o papel”.

Em preparação para fazer o ENEM em 2013, eu tinha 3 opções: ler as apostilas direto na tela do PC, imprimir tudo ou adquirir um tablet. Tentei debalde ler no PC, já sabendo que não seria muito viável, porém insisti por teimosia e por estar empenhado na “luta” anti papel. Resolvi então imprimir aos poucos, sem no entanto desistir do propósito de encontrar uma forma mais “moderna” de ler, sem os percalços de folhear, buscar “escaneando” linha por linha com os olhos uma informação impressa, quando basta digitar algumas teclas diante do computador para achar uma palavra ou frase. Afinal, isso dá a idéia de “evolução”. Antes era o livro impresso, apostilas e cadernos. Hoje, na “era digital”, nada mais natural que deixar para trás a “papelada”, a “burocracia”. Não me passava pela cabeça haver uma diferença tão grande entre os dois meios de leitura. Só os olhos me "avisavam" que estavam cansados...

Naquele ano da preparação para o ENEM, comprei o tablet. Aliás eu havia pesquisado também os e-books. Contudo, a falta de recursos multimídia nestes aparelhos me desanimou. Na época, chamava mais atenção um aparelho que servisse também para substituir o PC em algumas funções, além de dispensar a impressora...

Apesar de um pouco melhor a leitura no aparelho comparado ao monitor, pela experiência que tive, a melhora estava apenas na portabilidade, uma vez que a tela do tablet emite luz da mesma forma, além de não dar para ler ao ar livre, onde é forte a claridade natural.
Somente anos depois, finalmente fiquei convencido, com relação à leitura de livros principalmente, da superioridade do papel e dos e-books. Porém a motivação era somente acabar com o cansaço visual, além de preservar a vista para enxergar bem por mais tempo. Inclusive as propagandas dos e-books ressaltavam o diferencial da tecnologia que simula papel. Somente no início do ano de 2017, interessado pelo título de um vídeo no Youtube referente a educação e socioconstrutivismo, finalmente tomei conhecimento das descobertas da neurociência, através de uma palestra do saudoso professor Pierluigi Piazzi. Foi um vídeo daqueles que lamentamos não ter visto antes, pois vemos o quanto de tempo perdemos “batendo cabeça” ou “dando murro em ponta de faca”.

Este texto mesmo eu primeiramente o escrevi a mão para em seguida digitar no computador.

O grande equívoco que muitos de nós caímos foi esse. Consideramos os novos recursos criados como modismo, onde o novo é sempre melhor, como a televisão de LED é superior a CRT preto e branca dos primórdios. Neste caso sim, porém quando o assunto é leitura, só o e-book traz uma alternativa digital ao papel, e mesmo assim uma alternativa imperfeita, como visto acima o 
estudo da universidade francesa.

Como dizia o professor Pier, quando se trata de estudo, que inclui a leitura naturalmente, o importante não é a facilidade (meios digitais) mas a eficiência! Atalhos não funcionam simplesmente. Ao contrário, pois quanto mais "botar a cuca" para trabalhar, melhor proveito terá! 

A ideia por trás dos recursos digitais é justamente "botar a cuca" para dormir, pois os aparelhos fazem o trabalho. Só que há um porém que o professor sempre insistiu que foi a diferença entre digitar e escrever, manuscrito. Semelhante à diferença entre leitura na tela e no papel (perda e ganho), digitando, os dados vão com certeza ficar gravados na memória do equipamento, enquanto que na nossa, muito pouco; por outro lado, escrevendo com a dupla lápis/caneta e papel/caderno, o esforço maior põe a "caixola" para funcionar e grava mais nela. E isso é fundamental pois quando vamos fazer um concurso, nem calculadora podemos usar.

Citando Confúcio:
Quando ouço, esqueço!
Quando vejo, entendo!
Quando faço, aprendo!

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Ouça o trecho final:

Fontes:
1- Professor Pierluigi Piazzi - Leitura e Educação no Brasil - entrevista (Youtube, especificamente aos 49:20
2- ZH Planeta Ciência: "Papel supera telas em compreensão de texto, dizem cientistas";

 
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